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Zélia Amador de Deus, líder antirracista no Pará, morre

Nota de falecimento: Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista, falece aos 74 anos

A professora emérita Zélia Amador de Deus, da Universidade Federal do Pará (UFPA), faleceu na última terça-feira (8) em Belém, aos 74 anos. Reconhecida como uma das principais referências do movimento negro na Amazônia, Zélia deixou um legado que transcende a academia, pautando a defesa dos direitos das comunidades quilombolas e a ampliação do acesso de grupos historicamente excluídos do ensino superior.

A ativista e cientista social foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e sua atuação foi fundamental para a promoção de uma universidade mais inclusiva e plural. Em agosto, como reconhecimento por suas contribuições, a UFPA homenageou Zélia com o plantio de um baobá, árvore de grande significância em diversas culturas africanas, simbolizando a tradição e a ancestralidade que marcaram sua trajetória.

Legado na academia e além

Durante sua carreira, Zélia Amador de Deus ocupou diversos cargos de destaque na UFPA, incluindo o de vice-reitora entre 1993 e 1997. Em 2019, seus esforços e conquistas foram celebrados com a concessão do título de professora emérita de Antropologia e Ciências Sociais. Sua atuação foi marcada pela defesa rigorosa das cotas raciais e da inclusão de processos seletivos especiais para povos quilombolas, negros e indígenas.

O falecimento de Zélia gerou manifestações de reconhecimento por parte de lideranças acadêmicas e sociais. Gilmar Pereira da Silva, reitor da UFPA, destacou sua capacidade de cultivar relações humanas e demonstrar amizade e cuidado com as pessoas. Do mesmo modo, Jonas Pinheiro, professor da área de educação, lembrou seu papel essencial na luta pela inclusão e respeito aos saberes tradicionais.

Origem e resistência

Nascida em 1951, na Ilha do Marajó, Zélia cresceu em uma família de origem humilde em Belém. Vivendo com os avós e a mãe, que trabalhava como empregada doméstica, ela enfrentou o racismo e as dificuldades típicas de sua condição. A UFPA, ao conferir-lhe o título de professora emérita, destacou a força da professora em superar as adversidades e impor sua presença em defesa da igualdade racial.

A historiadora Janira Sodré, da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), enalteceu Zélia como uma figura insurgente que focou no protagonismo das mulheres negras na Amazônia. Sua vida e obra foram definidas por um espírito de tenacidade, alegria e enorme contribuição para a sociedade.

O impacto da professora Zélia Amador de Deus continua a ressoar entre aqueles que tiveram o privilégio de aprender com ela. Sua morte representa uma perda irreparável, mas seu legado permanece vivo nas instituições que ajudou a transformar e nas vidas que tocou. A comunidade acadêmica e os movimentos sociais seguirão celebrando sua memória e promovendo os valores que ela defendeu com tanta paixão e comprometimento.