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Deflação de 0,32% em agosto é a menor taxa desde agosto de 2022

A inflação no Brasil apresentou uma trajetória surpreendente em agosto de 2026, registrando uma queda de -0,32%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa deflação se destacou como a menor desde agosto de 2022, quando o índice chegou a -0,36%. Essa queda é uma notícia relevante para os consumidores, pois reflete uma diminuição dos preços, especialmente em itens essenciais como alimentos e transportes.

Em contrapartida, em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia mostrado um aumento discreto, de 0,07%. A projeção do mercado, conforme o Boletim Focus do Banco Central, era de que a inflação de agosto ficasse em -0,23%, mas a realidade superou essas expectativas com uma deflação ainda mais intensa.

Influências na Deflação

A queda nos índices inflacionários em agosto foi fortemente influenciada por reduções de preços em setores como alimentação, transporte e habitação. Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, quatro registraram deflação. Destacam-se a habitação, que apresentou uma deflação de -1,87%, a maior desde o lançamento do Plano Real em 1994, e os transportes, com -0,86%, auxiliados por uma queda significativa nas passagens aéreas de 13,17%.

O Bônus de Itaipu teve um papel fundamental nessa redução, proporcionando um desconto médio de 7,63% na conta de luz dos consumidores. Esse bônus é resultante da distribuição de saldos positivos da conta de comercialização da hidrelétrica Itaipu e contribuiu significativamente para a deflação da energia elétrica.

Alimentação e Outros Impactos

Os preços dos alimentos têm mantido uma tendência de queda, com agosto apresentando a terceira redução consecutiva neste setor, que é crucial para as famílias, representando 21,5% do IPCA. Produtos como batata-inglesa, cenoura, cebola, e tomate foram os principais itens a contribuir para essa baixa.

No segmento de combustíveis, a gasolina, o etanol e o óleo diesel registraram também quedas em seus preços, enquanto o gás veicular levou um aumento de 2,62%. O transporte por aplicativo recuou 4,57%, após ajustes em medições desse setor entre julho e agosto realizados pelo IBGE.

Impactos Futuros

Essa queda no IPCA de agosto faz o acumulado da inflação em 12 meses se estabilizar em 4,22%, o menor índice desde março de 2026 (4,14%). Contudo, a previsão do mercado para o fim de 2026 é de uma inflação de 5%, ainda dentro do intervalo permitido pela meta do Conselho Monetário Nacional, que varia de 1,5% a 4,5%.

Apesar da deflação registrada, o analista Fernando Gonçalves alerta que os preços de alguns produtos e serviços deverão subir novamente, sobretudo considerando que o bônus de Itaipu será ajustado nas contas de luz em setembro.

Os consumidores e analistas do mercado devem observar os próximos meses com atenção, especialmente os deslizes inflacionários que possam ocorrer fora do padrão vigiado pelo índice de difusão, que atualmente está em 54%. É importante continuar acompanhando os próximos anúncios do IBGE e outros órgãos, para entender como essas mudanças influenciarão o dia a dia econômico.