A Polícia Federal desvendou um esquema de espionagem e obtenção ilegal de informações sigilosas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master. A operação, batizada de Compliance Zero, revelou que Vorcaro, por meio de um grupo denominado “A Turma”, mantinha acesso indevido a dados de investigações em vários órgãos federais e até internacionais, como evidenciam documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório detalha ações de Vorcaro e seus comparsas, que incluíam o acesso clandestino a sistemas do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal (PF) e do Banco Central. Integrações internacionais com organismos como o FBI e a Interpol também foram mencionadas, demonstrando a extensão e a sofisticação da infiltração. As investigações, conduzidas pela PF, apontam que tal acesso era facilitado por logins funcionais de terceiros e que Daniel Vorcaro investia cerca de R$ 1 milhão por mês para manter o funcionamento dessa rede de espionagem.
Acesso Clandestino e Procedimentos Sigilosos
De acordo com o relatório da PF, um dos meios de execução do esquema consistia em consultas ilegais a procedimentos sigilosos. Felipe Mourão, também conhecido como “Sicário”, desempenhou papel central nesse sistema, realizando acessos a dados reservados do MPF e transmitindo essas informações a Vorcaro. A investigação revelou que esse acesso recorrente aos dados sigilosos visava proteger e antecipar movimentos jurídicos contra os envolvidos.
Um episódio notável ocorreu em 15 de fevereiro de 2024, quando Vorcaro encaminhou a Sicário uma mensagem solicitando informações sobre um inquérito na PF. Em resposta, Sicário transmitiu um áudio do policial aposentado Marilson Roseno da Silva, que prometeu atenção especial ao pedido. Esse tipo de intervenção ilustra a rede de ligações que Vorcaro mobilizava para assegurar proteção legal através de métodos ilícitos.
Interferência e Conexões Internacionais
As operações ilegais não se restringiram ao território nacional. O relatório cita que a “Turma” comandada por Vorcaro conseguira alcançar, via acessos irregulares, informações até de organismos internacionais, como o FBI e a Interpol. A PF destacou que parte das informações interceptadas mostravam tentativas de manipular dados em escala global, apesar de investigações preliminares confirmarem que algumas das supostas conexões com a Interpol não correspondiam à realidade dos sistemas daquela organização.
A infiltração na estrutura de segurança e de investigações brasileiras salienta a gravidade da situação e aponta para uma tentativa de burlar a ordem legal em transações financeiras de alta significância, envolvendo figuras de autoridades no sistema financeiro.
Impacto e Consequências
O desmantelamento deste esquema de espionagem e coação lançará novas luzes sobre as falhas de segurança no acesso à informação pública do país. Daniel Vorcaro já foi preso em novembro de 2025 e novamente em março de 2026 por essas práticas, com a prisão mantida por ordem do STF. O caso também destaca questões sobre proteção de dados e o uso indevido de informações sensíveis para propósitos inapropriados.
A investigação da PF continuará focada na destruição dessa estrutura ilegal e na garantia de que os responsáveis sejam devidamente julgados. A população deve acompanhar o desenrolar dos processos judiciais e as medidas que serão tomadas para prevenir futuras invasões desta natureza.
