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UFRJ entrega diplomas póstumos em homenagem a vítimas da ditadura

Após décadas de espera, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promoveu uma cerimônia de reconhecimento e reparação histórica a 23 estudantes e dois docentes perseguidos pela ditadura militar no Brasil. Em uma cerimônia emotiva, realizada nesta quinta-feira (9), a UFRJ entregou diplomas de conclusão a indivíduos cujas trajetórias acadêmicas foram abruptamente interrompidas pela repressão, um ato que simboliza não apenas a conclusão de uma jornada educacional, mas também a valorização da memória e da resistência democrática.

Dentre os homenageados, destaca-se Fernando Augusto da Fonseca, estudante de economia, cuja história trágica ilustra o impacto brutal da violência estatal. Fernando foi levado ao Recife, onde foi torturado e morto, deixando para trás uma esposa grávida e um filho de três anos. Décadas depois, seu filho, André Luiz Araújo da Fonseca, agora professor na mesma universidade, recebeu o diploma póstumo em nome do pai, destacando a importância desse reconhecimento para a família e para a memória coletiva de resistência.

Resgate da Memória e Legado Democrático

O reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, enfatizou que a entrega dos diplomas póstumos serve como um compromisso da instituição com a memória, a verdade e a justiça, resgatando a história dos que lutaram contra a repressão. Durante a cerimônia, o ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ, Franklin Martins, ressaltou o papel fundamental dos movimentos estudantis e dos professores que enfrentaram a opressão durante o regime militar, destacando que esse resgate histórico deve servir de exemplo para as lutas sociais atuais.

A atual coordenadora-geral do DCE da UFRJ, Malu Cerqueira, reforçou que a diplomação representa uma reparação às famílias dos desaparecidos e um posicionamento político da universidade. Ela sublinhou a importância de preservar a memória dos que enfrentaram o regime autoritário, ressaltando que são esses exemplos de resistência que devem ser celebrados e perpetuados.

Homenageados e Seus Legados

Além de Fernando Augusto da Fonseca, outros 22 estudantes receberam diplomas póstumos. Entre os nomes estão Adriano Fonseca Fernandes Filho, Ana Maria Nacinovic e Antônio de Pádua Costa, entre outros. Já Stuart Angel Jones, estudante de economia que sofreu o mesmo destino brutal em 1971, havia sido homenageado anteriormente, com um diploma entregue à sua irmã, a jornalista Hildegard Angel.

Os homenageados que eram docentes na época de sua morte foram Lincoln Bicalho Roque, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, e Raul Amaro Nin, pesquisador da Faculdade de Engenharia, ambos reconhecidos por seus vínculos acadêmicos e legados institucionais.

O reconhecimento público desses estudantes e professores reafirma a importância de se manter viva a memória de resistência contra a opressão. Para as famílias e para a sociedade, a ação da UFRJ não apenas fecha um ciclo histórico, mas também ilustra um compromisso contínuo com os valores democráticos e de justiça social. A cerimônia serve como um lembrete poderoso de que as universidades devem continuar a desempenhar um papel crucial na defesa da democracia e na preservação da memória coletiva.